A apneia do sono é um distúrbio que afeta milhões de pessoas e, muitas vezes, passa despercebido por anos.
Um dos sinais mais comuns é justamente aquele que parece contraditório: a pessoa dorme por várias horas, mas acorda cansada, sem disposição e com a sensação de que não descansou.
Embora seja comum associar o cansaço apenas ao estresse, excesso de trabalho ou noites mal dormidas, em muitos casos o problema está relacionado à qualidade do sono e não apenas à quantidade de horas dormidas.
Se você acorda cansado todos os dias, sente sono durante o dia ou recebe reclamações sobre roncos frequentes, vale a pena entender melhor a relação entre esses sintomas e a apneia do sono.
O que é apneia do sono?
A apneia do sono é um distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono.
Essas pausas respiratórias podem durar alguns segundos e ocorrer dezenas ou até centenas de vezes durante a noite.
Na maioria dos casos, a pessoa não percebe essas interrupções, mas o organismo sofre as consequências.
Cada vez que a respiração para, o cérebro precisa agir para restabelecer a passagem do ar, provocando pequenos despertares que fragmentam o sono.
O resultado é uma noite aparentemente completa, mas com descanso insuficiente.
Por que a apneia provoca cansaço?
Durante o sono, o organismo passa por diferentes fases, incluindo períodos de sono profundo e sono REM, que são essenciais para a recuperação física e mental.
Quando ocorre a apneia do sono, essas fases são interrompidas repetidamente.
Mesmo sem acordar completamente, o cérebro sai dos estágios mais profundos do sono para retomar a respiração.
Isso impede que o descanso aconteça de forma adequada.
Consequentemente, a pessoa pode apresentar:
- Sensação de sono não reparador;
- Cansaço ao acordar;
- Falta de energia durante o dia;
- Sonolência excessiva;
- Dificuldade de concentração.
Quais são os principais sintomas da apneia do sono?
Além do cansaço matinal, a apneia do sono pode causar diversos sintomas.
Os mais comuns incluem:
- Ronco intenso;
- Pausas respiratórias observadas por outras pessoas;
- Sensação de sufocamento durante a noite;
- Sono agitado;
- Boca seca ao acordar;
- Dor de cabeça pela manhã;
- Irritabilidade;
- Queda de produtividade;
- Falta de concentração;
- Sonolência durante o dia.
Muitas pessoas acreditam que o ronco é apenas um incômodo social, mas ele pode ser um importante sinal de alerta.
Quem tem maior risco de desenvolver apneia do sono?
A apneia do sono pode afetar homens, mulheres e crianças, mas alguns fatores aumentam o risco.
Entre eles:
Excesso de peso
O acúmulo de gordura na região do pescoço pode reduzir o espaço para a passagem do ar.
Alterações anatômicas
Desvio de septo, aumento das amígdalas, adenoides aumentadas e alterações da mandíbula podem contribuir para a obstrução das vias respiratórias.
Idade
O risco aumenta com o envelhecimento devido à perda natural do tônus muscular.
Histórico familiar
Pessoas com familiares que apresentam apneia do sono podem ter maior predisposição.
O que acontece com o organismo durante a apneia?
Quando a respiração é interrompida, os níveis de oxigênio no sangue diminuem.
Essa redução obriga o organismo a trabalhar mais para manter funções essenciais.
Ao longo do tempo, isso pode aumentar o risco de:
- Hipertensão arterial;
- Doenças cardiovasculares;
- Demência;
- Arritmias;
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Diabetes tipo 2;
- Problemas metabólicos.
Por isso, a apneia do sono vai muito além do ronco e do cansaço.
Por que algumas pessoas não percebem o problema?
A maioria dos episódios de apneia ocorre enquanto a pessoa está dormindo.
Como os despertares costumam ser rápidos e inconscientes, muitos pacientes acreditam que dormiram normalmente.
Em diversos casos, são familiares ou parceiros que percebem os sinais, especialmente os roncos intensos e as pausas respiratórias.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da apneia do sono envolve avaliação clínica e exames específicos.
O principal exame utilizado é a polissonografia.
Esse exame monitora diversos parâmetros durante o sono, como:
- Respiração;
- Frequência cardíaca;
- Oxigenação do sangue;
- Movimentos corporais;
- Atividade cerebral.
Com essas informações, é possível identificar a presença e a gravidade da apneia.
Como a apneia do sono é tratada?
O tratamento depende da causa e da intensidade do problema. Entre as opções estão:
Mudanças de hábitos
Em alguns pacientes, a perda de peso e a prática regular de atividade física ajudam a reduzir os sintomas.
CPAP
O CPAP é um aparelho que fornece fluxo contínuo de ar durante o sono, mantendo as vias respiratórias abertas.
Dispositivos intraorais
Podem ser indicados em alguns casos para reposicionar estruturas da boca e facilitar a passagem do ar.
Tratamento cirúrgico
Quando existem alterações anatômicas importantes, procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados.
Entre eles estão correções de desvio de septo, redução de tecidos obstrutivos e cirurgias das amígdalas ou adenoides.
Crianças também podem ter apneia do sono?
Sim.
Nas crianças, uma das causas mais comuns é o aumento das amígdalas e adenoides.
Os sintomas podem incluir:
- Ronco frequente;
- Sono agitado;
- Respiração pela boca;
- Dificuldade de concentração;
- Alterações de comportamento;
- Queda no rendimento escolar.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar impactos no desenvolvimento infantil.
Quando procurar ajuda médica?
É importante procurar avaliação especializada se você:
- Acorda cansado mesmo após várias horas de sono;
- Ronca frequentemente;
- Apresenta sonolência excessiva durante o dia;
- Tem dificuldade para manter a concentração;
- Recebe relatos de pausas respiratórias durante a noite.
Quanto mais cedo a apneia do sono for identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar complicações.
Dormir não é apenas fechar os olhos
A qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade de horas dormidas.
A apneia do sono pode transformar noites aparentemente normais em períodos de descanso insuficiente, impactando diretamente a saúde física, mental e emocional.
Se você acorda cansado todos os dias, mesmo dormindo por muitas horas, não ignore esse sinal.
Investigar a causa do problema é o primeiro passo para recuperar a disposição, melhorar a qualidade de vida e proteger sua saúde a longo prazo.
–
RT: Dra Regina Stela Roland Ortega Otorrinolaringologista CRM/SP 33487 – RQE 8904